segunda-feira, março 27, 2006

Dia Mundial do Teatro ou post emocionado

hoje ,Dia Mundial do Teatro sentia-me (como de resto é habitual)dividida entre o êxtase da celebração por toda a parte dessa matéria a que chamo de meu viver,e a angústia que advêm da reflexão do status quo teatral (em particular,do nosso caso português). entre o mutismo, a indignação ou a celerada ideia de postar aqui reflexões várias,eventos que se realizam por esse país fora ( và là!saia de casa!)enviar e-mails ou sms de parabéns aos colegas /companheiros de profissão deparei-me com a resposta através de um telefonema de uma grande amiga,parceira nestas andanças.... é que de facto,nada disto acima tem grande sentido... esta efeméride vivemo-la todos os dias ,e cumprimos o teatro ao ler sobre este,ao pensar,mas sobretudo vendo e fazendo! por isso não enumerei aqui as razões de tal data, não escrevi mais do que o habitual,não transcrevi a mensagem oficial (que espero ,leiam) não enviei e-mails nem enumerei eventos. porque celebrarei da única forma possível,lendo,vendo,fazendo teatro... UM ABRAÇO!

sábado, março 18, 2006

descubra as entrelinhas do escuro

Valère Novarina : “Lettre aux acteurs”

J'écris par les oreilles. Pour les acteurs pneumatiques.

Les points, dans les vieux manuscrite arabes, sont marquée par des

soleils respiratoires ... Respirer, poumonez ! Poumonez , ça veut pas dire déplacer de l'air, gueuler, se gonfler, mais au contraire avoir une véritable économie respiratoire, user tout l'air qu"on prend, tout l' dépenser avant d'en r'prendre, aller au bout du souffle, jusquà la constriction de l'asphyxie finale du point, du point de la phrase, du poing qu'on a au coté après la course.

Bouche, anus , Sphincter. Muscles ronds fermant not' tube.

L'ouverture et la fermeture de la parole. Attaquer net. Mâcher et manger le texte. Le spectateur aveugle doit entendre croquer et déglutir, se demander ce que ça mange, là-bas, sur ce plateau, qu'est-ce qu'ils mangent? Ils mangent ? Mâcher ou avaler. Mastication, succion, déglutition. Des bouts de texte doivent être mordus, attaqués méchamment par les mangeuses (lèvres, dents); d’autres morceaux doivent être vite gobés, déglutis, engloutis, aspirés, avalés. Mange, gobe, mange, mâche, poumone sec, mâche, mastique, cannibale ! Aie, aie !... beaucoup du texte doit être lancé d’un souffle, sans reprendre son souffle, en l’usant tout. Tout dépenser. Pas garder ces p'tites réserves, pas avoir peur de s’essouffler. Semble que c’est comme ça qu’on trouve le rythme, les différentes respirations, en se lançant en chute libre. Pas tout couper, tout découper en tranches intelligentes, en tranches intelligibles - comme le veut la diction habituelle française d’aujourd’hui où le travail de l’acteur consiste à découper son texte en salami, à souligner certains mots, les charger d’intention, à refaire en somme l’exercice de segmentation de la parole qu’on apprend à l’école : phrase découpée en sujet-verbe-complément d’objet, le jeu consistant à chercher le mot important, à souligner un membre de phrase, pour bien montrer qu’on est un bon élève intelligent - alors que, alors que, la parole forme plutôt quelque chose comme un tube d’air, une colonne à échappée irrégulière, à spasmes, à vanne, à flots coupés à fuite, à pression.

( ...)

Faut des acteurs d’intensité, pas des acteurs d‘intention. Mettre son corps au travail. Et d’abord, matérialistement, renifler, mâcher, respirer le texte. C’est en partant des lettres, en buttant sur les consonnes, en soufflant les voyelles, en mâchant, en mâchant ça fort, qu’on trouve comment ça se respire et comment c’est rythmé. Semble même que c’est en se dépensant violemment dans le texte , en y perdant souffle, qu’on trouve son rythme et sa respiration. lecture profonde, toujours plus basse, plus proche du fond. Tuer, exténuer son corps premier pour trouver l’autre corps, autre autre respiration autre économie - qui doit jouer.

Le texte pour l’acteur une nourriture, un corps. Chercher la musculature de c’vieux cadavre imprimé, ses mouvements possibles, par où il veut bouger : le voir p’tit à p’tit s’ranimer quand on lui souffle dedans, refaire l’acte de faire le texte, le ré-écrire avec son corps.

Liberdade de escolha

Diàlogo entre um adulto e uma criança de 8 anos: Adulto- Que signo és? Criança- Leão. Adulto- Em que mês nasceste? Criança- Março. Adulto-Então,és Peixes e não Leão. Que dia nasceste? Criança(ignorando a curiosiade e insistência do adulto,no mês e na data ) 18 de Março. E sou Leão. Nasci em Março,mas Leão é o signo do meu irmão mais velho e eu posso escolher. Após a perplexidade dos presentes, e teimosia do adulto em questão, a criança explica: Pensei em ser Escorpião....mas decidi ser Leão.

sábado, março 11, 2006

Ron Mueck- IV

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Ron Mueck- III

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Ron Mueck-II

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Esculturas de Ron Mueck

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sábado, fevereiro 18, 2006

notas soltas

boas novas! a razão de ausência tão prolongada deve-se a uma paixão. mas desencantem-se os românticos de serviço,esta não é uma paixão convencional é antes um sonho ,longamente sonhado e que começa agora a ganhar forma. a encenação,que hà muito se introduziu em mim como necessidade premente,urgente de criar ou veicular idiossincracias minhas ( na certeza que estas encrontarão correspondentes no público que partilham os mesmos anseios) de um trabalho que estreia este ano em junho ,preenche desde janeiro-não todos os minutos,mas todos os meus pensamentos. por isso,vir cà serà tarefa ocasional- por isso,ainda mais preciosa. e se falho ,no intuito de divulgar ou falar sobre tudo aquilo que gostaria de relevar no domínio das artes ,resta o consolo da causa mui nobre. até breve!

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Vista uma camisa thermoteb

Para todos aqueles que se recordam do mítico anúncio "Frio?Eu não tenho frio,eu uso thermoteb"aqui ficam algumas razões para sairem armados da mesma: .no rivoli decorre o ciclo 4+1 -selecção a cargo de João Botelho estes ciclos servem para dar a conhecer a panôramica cinematogràfica portuguesa através dos seus realizadores ; que são ,ao contràrio do que tantas vezes se apregoa,diversos e díspares entre si .o passos manoel inicia hoje o ciclo de cinema neo-zelândes em parceria com o Fantas( fevereiro está quase à porta!) ,hoje é dia de "amor e vacas",de Harry Sinclair . a Assédio- Associação de Ideias Obscuras està em cena com "Um Número"da autora Caryl Churchill, no estúdio zero- um trabalho exemplar e ímpar sobre o qual penso falar mais detalhadamente,em breve -Luís Miguel Cintra,prémio Pessoa 2005 inicia o ciclo "Conversas com Teatro",próximo dia 21,no Teca,pelas 17h.entrada livre

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Blood on the Cat´s Neck

Model: i lie in bed and fondle myself.Often.There´s never been anyone who could do it just the right way.So i do it myself- simple.I have a great deal of contact with men in my profession,and i sleep with a lot of them. That´s no problem for me.And why should it be?It´s nevver mattered,just something that happens,like drinking a cup of coffee,or the rain faling. It could be that other people frighten me. Because relationships are often very demanding.Dont you think?When someones takes a photo of me it´s wonderful.For me it´s a sensual experience to pose for a few moments,or to smile.Even when i´m alone.There´s this soft down on my stomack,and on my tigh,very soft,on the inner part.And my shoulders have muscles,so...I like myself a lot.I won´t really let anyone get in the way. Rainer Werner Fassbinder,traduzido por Denis Calandra

Em Cena- O Teatro Da Cornucópia no São João

em janeiro,a Cornucópia vai estar no TECA com três espectàculos. O primeiro,estreia jà esta semana,e para àlem da qualidade sobejamente (re)conhecida da companhia,hà mais um motivo para ir vê-los ; trata-se de Fassbinder,o realizador alemão que legou um breve mas importante trabalho teatral . "Sangue no pescoço do Gato" é a peça em cartaz de 4 a 8 de Janeiro,no Teca ; todos os dias às 21.30 h(domingo ,às 16h). Obrigatório!

domingo, dezembro 11, 2005

Jasão e Medeia

foto : João Tuna Posted by Picasa

Em Cena

Os Encantos de Medeia, no Teatro Nacional São João; pelo Teatro de Marionetas do Porto. Na foto,João Paulo Seara Cardoso. Foto de : João Tuna fonte:www.purl.pt Posted by Picasa

Sentidos Vários- Ciclo de Cinema com Debate

Teve início ontem,com o filme /documentàrio"Autobiografia" de Miguel Gonçalves Mendes,sobre Màrio Cesariny; o ciclo promovido pelos alunos de Filosofia da Faculdade de Letras da U.P. Hoje muda de casa(ontem foi no Rivoli ) para o Passos Manuel onde permanece até dia 15 . Os bilhetes custam 1,5 euros ; e são seguidos de um debate com dois convidados , que interpelam os espectadores a partir das várias leituras sugestionadas pelos filmes visonados. Programação:Rivoli,Pequeno Auditório: 10 Dezembro 2005,21.30h Autografia,de Miguel Gonçalves Mendes Conversa com Diogo Alcoforado e Miguel Gonçalves Mendes Cinema Passos Manoel: 11 Dezembro 2005,21.00h Silvestre ,de João César Monteiro Conversa com João Meirinhos e Cíntia Gil 12 Dezembro 2005,21.00h Dogville,de Lars Von Trier Conversa com José Maria da Costa Macedo e Cristina Marinho 13 Dezembro 2005,21.00h Um anjo à minha mesa ,de Jane Campion Conversa com Eugénia Vilela e Ana Luísa Amaral 14 Dezembro 2005,21.00h Palavra e Utopia,de Manoel de Oliveira Conversa com Maria Celeste Natário e Carlos Magno 15 Dezembro 2005,21.00h Blow UP,de Michelangelo Antonioni Conversa com Àlvaro dos Penedos,D.Alcoforado e José Pires

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Pensamento do Dia

O que mais gosto no teatro é poder sentir através das pessoas que a vida tem sentido. Acho que o teatro tem um sentido religioso.Não percebo o mundo,não percebo o homem,o tempo,o espaço,a história,mas através do teatro as coisas fazem algum sentido. O teatro ajuda-me a viver. Carlos J.Pessoa- entrevista de Alexandra Jubilot,em www.culturweb.com

terça-feira, novembro 22, 2005

Fazedor de Teatro

Bruno Ganz,como Adolf Hitler no filme "A Queda" hoje às 23.30h na RTP 1 não é apenas o filme do mês,como exalta a publicidade. é a oportunidade de testemunhar o desempenho de um dos maiores actores de teatro/cinema. Se fossemos dissecar o seu trabalho,não iamos conseguir evitar um post completamente parcial,lamechas ,devotado. não existe imagem ou palavra que seja suficiente para o génio de Ganz. Importa é vê-lo .

Heaven knows i´m miserable now

auto-mutilação. a espera de um telefonema(não importa se chega a tocar ou não,a voz é a mesma,mas perdeu o brilho e esqueceste a razão inicial porque ligaste). Silêncio. and if a ten toned truck kills the both of us, to die by your side well the pleasure ,the privilege is mine... there is a light and never goes out deixaste de ouvir ràdio. o Amor,essa palavra pirosa,que tentas balbuciar só existe como pretexto para consumir a melancolia de Smiths ,ou a agonia de Nick Cave. A vida devia ser operàtica como a voz de Neil Hammond,que insiste to die by your side is such a heavenly way to die. por vezes, se falo de amor é apenas para exaltar os sentidos e encontrar outros. não saberia como sorrir todos os dias,de felicidade , a teu lado. consumo palavras ,vãs ,como combustível para amar. mas as palavras rareiam,e o ar também . aqui,onde a tua voz oh god,my chance come at last não chega,a realidade é difusa e tripartida. aumento o volume do ràdio e congratulo-me pela ironia de preferir,por uma vez-oh, heresia das heresias- a voz de Neil Hammond clamando por luz,à voz original de Morrisey, soturno entre os faroís. E acredito,tratar-se de um pressàgio,onde um dia,outra silhueta substituirà a tua. Não serà doce e ìntima ,carregada de impossibilidade como a tua ,mas desmesurada, e limpa,e tal como na música a versão lentamente substituirà a memória do original,até este não ser mais do que um eco,de um passado distante. Take me out tonigh,take me anywere,i don´t care. * there is a light and never goes out- the smiths *2 Heaven Knows I´m Miserable Now ,título de outra canção dos Smiths seria o nome deste blog,se este não tivesse tão intrisecamente ligado ao teatro.A frase Heaven Knows I´m Miserable Now parece-nos resumir a condição humana ,ou pelo menos a nossa.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Homenagem

vivemos tempos de descrença,de cepcticismo como arma de trazer-por-casa. suspeitamos uns dos outros,e interrogamo-nos mais frequentemente do que o habitual. olhamos em redor e procuramos cúmplices. sérios,comprometidos,apaixonados até à medula por essa palavra/ matéria em nossas mãos chamada Teatro . esperamos longamente . folheamos diariamente os jornais que nos falam de celebrações ,de aniversários de teatro , e regozijamo-nos pelo facto. mas ,às vezes,muito poucas vezes,ouvimos uma voz no meio da multidão que nos devolve o sentido. Fernando Mora Ramos é um homem singular,ímpar. no trabalho,na humildade , no rigor,na seriedade com que se debruça hà mais de 20 anos sobre o Teatro. é urgente (re)descobri-lo ,como actor /encenador; ir ao Tnsj ver "Ella " de Herbert Achternbusch...ler a entrevista e os textos , e voltar a entender a dimensão humana desta palavra Teatro. não como profissão,como métier, ou rótulo artístico. mas como modus vivendis.

Em Cena- Para os mais novos

O espectàculo é uma reposição da companhia Teatro de Ferro. A companhia ,de Igor Gandra ( ligado ,anteriormente ao Teatro de Marionetas do Porto) trabalha com marionetas e multimédia. Ainda que nos perguntemos ,por vezes se esta lógica não sacrifica o trabalho do intérprete/actor que fica enformado ,preso numa rigidez não suficientemente justificada enquanto ideía, realçamos o caràcter lúdico e atractivo da companhia,em particular no terreno do trabalho destinado ao público infantil. Posted by Picasa

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